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Câmbio na crise afeta papel moeda mas favorece exportações

Por banco-topazio | 20 de julho de 2020

Para especialistas de câmbio do Banco Topázio, a recuperação do Real depende de boas notícias na política e na pandemia.

Um dos efeitos mais impactantes no mercado de câmbio brasileiro, que nos últimos meses já sofria quedas ocasionadas tanto pela diminuição da taxa básica de juros quanto pela política nacional conturbada, foi a pandemia do novo coronavírus. O desaquecimento da economia acentuou ainda mais a queda da moeda brasileira, visível pela meteórica alta do dólar americano, que alcançou níveis inéditos desde a criação do Real.

Os consultores de câmbio do Banco Topázio, Thiago Peixoto de Araújo e Rogério da Silva, analisam a situação, salientando que o principal efeito da desvalorização da moeda brasileira recaiu sobre o comércio de papel moeda. “Muita gente perdeu o emprego porque as lojas de câmbio fecharam. Elas pararam de ser vendedoras e passaram a ser compradoras de moeda, negociando abaixo do valor comercial, porque está havendo muita gente que vende para as corretoras, que não têm para quem repassar; os bancos já não têm mais o que fazer com esse dinheiro, porque eles pagam custódia para manter esse dinheiro parado”, explica Araújo.

O que compensa essa situação e fica favorecido justamente pela alta da moeda norte-americana, são as remessas ao exterior. Esse mercado foi particularmente beneficiado com uma resolução do Banco Central do Brasil a pedido da Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), emitida no fim de abril, que aumentou o limite de ordens de pagamento para o exterior de US$ 100 mil para US$ 300 mil. “Isso ajuda bastante, pois diminui a burocracia exigida para cada remessa pelo volume enviado. As corretoras conseguem mandar muito mais ordens num curto espaço de tempo. Claro que, em contrapartida com uma moeda alta, (o cenário) está favorecendo mais o exportador do que o importador”, observa.

Quando o cenário de câmbio vai melhorar?

A melhora desse cenário depende de bem mais de um fator, mas, na perspectiva traçada por Rogério da Silva, as boas notícias relacionadas às pesquisas sobre o coronavírus, como os testes com possíveis vacinas no Brasil tendem a impulsionar uma recuperação. “Isso é necessário para que as pessoas tenham mais tranquilidade para viajar. Nossa projeção é de que o papel moeda possa reiniciar no mês de setembro”, afirma Silva.

Porém, muita coisa ainda precisa ocorrer para que a recuperação seja plena. Ampliando a abrangência da análise, Thiago Araújo pontua que alguma melhora só virá realmente “lá pelo segundo ou terceiro trimestre do ano que vem”, em virtude do cenário político. “Enquanto tivermos essa crise política agravada, não vejo algo bom. Analisando friamente, só vamos ver o PIB (Produto Interno Bruto) melhorando, que seja um aumento de 0,2% ou 0,5%, em 12 meses, isso se algo positivo for feito nesse tempo”, alerta.

Segundo Silva, nesse período, é interessante acompanhar as notícias do mercado financeiro, principalmente em relação ao comportamento da taxa de juros. “À medida que os juros baixam aqui no Brasil, a tendência é de que o dólar fique mais caro, e isso tem acontecido”, aponta. Para o consultor, também é interessante acompanhar as notícias econômicas, políticas e internacionais, em especial sobre os Estados Unidos. “O que acontece lá, principalmente as eleições nos EUA para presidente, vai mexer bastante com o mercado”, analisa.

As flutuações do câmbio são uma constante em todo o mundo e essa oscilação tem se intensificado durante a pandemia. Por isso, é importante ir sempre além dos acontecimentos locais. Apesar das necessidades de nosso mercado interno, as finanças e a economia sempre dependem dos acontecimentos internacionais. E agora, mais do que nunca, esses fatos são relevantes. Fique por dentro!

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